30 agosto, 2009

O rapaz índigo...


...não era daqui. Vivia numa nuvem, bem lá no alto do céu. A princesa dos olhos dele tinha uma casa numa estrela. Não tinha paredes de tijolo nem telhado de telhas. Era de imaginação. O rapaz índigo tinha um coração de vento. A princesa dos olhos dele tinha um coração de sonhos. O rapaz índigo sonhava com o amor. Não passa o vento nas estrelas. O vento é da terra. A princesa dos olhos dele não sonhava, mas conseguia imaginar que força fazia mover as nuvens. À noite, deitado na sua nuvem, o rapaz índigo ficava a olhar as estrelas. A estrela da princesa dos olhos dele brilhava, agora, nos seus olhos. Via o coração dela cheio de sonhos, que eram de imaginação. Rendido aos seus encantos, desejou mostrar-lhe a força que fazia mover as nuvens. Abriu o seu coração de vento, mas o vento é da terra e não passa nas estrelas. Então, fez muita força, tanta força que as nuvens chocaram e houve um grande trovão. A princesa dos olhos dele estremeceu e caiu. Os sonhos de imaginação pairavam agora sobre a terra. De manhã, ao perceber que nunca mais aquela estrela iria brilhar, o rapaz índigo chorou. Eram lágrimas de rapaz índigo a cair sobre a terra. É por isso que o mar é azul.

MariaPapoyla 

3 comentários:

Miss Yellow disse...

uma coisinha para ti no meu blog ;)

S* disse...

Que história bonita. Se o mar é azul por isso, é um azul muito lindo.

Galo (ex Fred Eat Cock, porque me apeteceu mudar) disse...

Bolas, pareces o Mia Couto.
Que conto lindo...

Beijo