05 outubro, 2009

As cartas de amor...


...que escrevi para ti tinham outro destinatário. Esses teus olhos que me estremeciam a alma eram de outra pessoa. O sorriso dos teus lábios era de alguém que não tu. Dentro de ti, o teu coração batia diferente dentro dos meus ouvidos. As promessas que fizeste eram de um contracto que tu não assinaste. Foste o príncipe encantado de uma história que eu vivi e que não era a minha.

Essa história ficou gravada no meu coração traído e magoado, incompreendido. Ficou escrito, como numa pedra, cada mágoa, cada passo errado, cada poesia inacabada, cada carta de amor perdida. No coração, ficou escrito, como um aviso para não voltar a percorrer esse caminho, como um pedido de socorro eterno.

Hoje, olho para ti, e já não ouço o teu coração dentro dos meus ouvidos, nem o meu coração dentro de mim. Há uma nuvem entre nós que já não me deixa ver os teus olhos que não são teus. As promessas de outrora são agora borboletas zonzas, solitárias, peças de um puzzle que não consigo encaixar. São pedaços de ilusão, de mentiras, promessas de um amor eterno de que o tempo se esqueceu para sempre.

MariaPapoyla

03 outubro, 2009

Um verso...


...de paixão
Não rima aqui
Nem ali
Nem acolá
Rima no coração.

MariaPapoyla 

02 outubro, 2009

Era uma vez...


...uma caixinha de vime que guardava segredos de papiro. Suspiro ao lembrar deste velho sonho. Suponho que ainda lá esteja guardado. Amarrado ao coração ainda o trago. Embargo nos pensamentos ao impedirm-me de sonhar. Apesar de pequenina bem sabia o meu desejo. Vejo-o agora longe com este par de olhos que se enchem de emoção. Paixão por esta vida no meu coração de menina. Bailarina numa caixinha de vime.

Ela trazia, no coração, a música. A melodia estava na ponta dos dedos e a dança na ponta dos pés. Bastava dar corda à imaginação. Pintava no céu celeste com pincéis de harmonia. Erguia-se na ponta dos pés como quem canta às estrelas um refrão preso à terra. Assim caminhava na pauta da vida, degrau a degrau as colcheias são aguarelas e a clave de sol a chave de uma felicidade que não tem porta para abrir. E a caixinha de música, que era o coração, ficou fechada para sempre. Agora, resta-lhe dar à corda para que a bailarina continue a dançar. 

MariaPapoyla